O Senhor é Aquele que Haveria de Vir? Encontrando Fé em Meio às Dúvidas
A vida cristã não é uma linha reta de certezas inabaláveis, mas sim uma jornada de confiança que, por vezes, atravessa vales de sombras e questionamentos.
No coração do Evangelho de Mateus, encontramos um dos relatos mais humanos e tocantes de toda a Escritura: o momento em que João Batista, o homem que apontou o dedo para o Messias e disse “Eis o Cordeiro de Deus”, envia uma pergunta angustiante de dentro de uma prisão:
“O Senhor é Aquele que haveria de vir, ou devemos esperar algum outro?” (Mateus 11:3).
Se você já se sentiu confuso sobre os planos de Deus, se a sua realidade atual parece contradizer as promessas que você recebeu, ou se o silêncio do céu parece ensurdecedor enquanto você clama por libertação, o devocional de hoje é para você. Vamos mergulhar na profundidade desse questionamento e descobrir como Jesus responde às nossas crises de fé.
O Drama de João: Entre a Promessa e a Prisão
Para entender a relevância de Mateus 11:3, precisamos olhar para o cenário. João Batista não era um descrente; ele era o precursor. Ele tinha visto o Espírito descer como pomba sobre Jesus e ouvido a voz do Pai. No entanto, naquele momento, João estava encarcerado na Fortaleza de Maqueronte.
A dúvida de João não nasceu da falta de conhecimento, mas da tensão entre a sua expectativa messiânica e a realidade do ministério de Jesus. João pregava um Messias que viria com o machado à raiz das árvores e com a pá na mão para limpar a eira (Mateus 3:10-12).
Ele esperava julgamento imediato e, possivelmente, a libertação de Israel do jugo romano. Em vez disso, ele ouvia relatos de Jesus curando enfermos, comendo com pecadores e pregando sermões nas montanhas.
Onde estava o fogo? Onde estava o julgamento contra Herodes, que o mantinha preso injustamente? A pergunta de João — “O Senhor é Aquele que haveria de vir?“ — é o grito de um coração que tenta reconciliar o que Deus disse com o que o olho está vendo.
A Humanidade da Fé
Este texto nos ensina uma lição preciosa sobre a teologia bíblica da fé: ter dúvidas não é o mesmo que ser um incrédulo. A dúvida sincera é o desejo de compreender melhor a Deus em meio à dor. João Batista foi chamado por Jesus de “o maior entre os nascidos de mulher”, e ainda assim ele teve sua crise.
Isso nos dá liberdade para sermos honestos com Deus. Ele não se escandaliza com a nossa fragilidade; Ele nos convida a levar nossas perguntas a Ele, assim como João fez ao enviar seus discípulos.
A Resposta de Jesus: Obras que Falam
Jesus não respondeu com um simples “sim” ou “não”. Ele não repreendeu João por sua falta de percepção momentânea. Em vez disso, Jesus disse aos discípulos de João:
“Voltem e anunciem a João o que vocês estão ouvindo e vendo: os cegos veem, os mancos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados e as boas-novas são pregadas aos pobres” (Mateus 11:4-5).

Aqui, Jesus aponta diretamente para as profecias de Isaías 35:5-6 e 61:1. Ele estava dizendo a João: “Eu estou fazendo exatamente o que as Escrituras disseram que o Messias faria. Talvez Eu não esteja cumprindo as suas expectativas políticas, mas estou cumprindo o plano redentor de Meu Pai”.
Muitas vezes, nossa dúvida surge porque Deus não está agindo da maneira que imaginamos. Queremos a libertação da “prisão” (seja ela financeira, emocional ou física), mas Jesus está focado na restauração da alma, na pregação do Evangelho e na manifestação do Reino que começa de dentro para fora.
Bem-aventurado Aquele que não se Escandaliza
O versículo 6 de Mateus 11 traz uma advertência suave e amorosa:
“E bem-aventurado é aquele que não se escandaliza por minha causa”.
A palavra “escandalizar” aqui (do grego skandalon) refere-se a uma pedra de tropeço. Jesus estava alertando João — e a nós — que o maior desafio da fé é aceitar Jesus como Ele é, e não como queremos que Ele seja.
A fé verdadeira é confiar na soberania de Deus mesmo quando as circunstâncias sugerem que Ele está em silêncio. João Batista acabou sendo martirizado na prisão.
Ele nunca viu Jesus derrubar Herodes, mas ele morreu sabendo que o Messias estava na terra, curando os cegos e ressuscitando os mortos. A confirmação de Jesus foi o combustível que sustentou a fé de João até o fim.
Aplicações Práticas: Como Lidar com a Dúvida Hoje
Como podemos aplicar as lições de Mateus 11:3 em nossa caminhada diária?
- Seja Honesto com Deus: Não tente esconder suas incertezas sob uma máscara de religiosidade. Leve suas dúvidas a Cristo através da oração e da meditação nas Escrituras. Ele acolhe o questionamento sincero.
- Olhe para as Obras de Cristo: Quando as circunstâncias forem desfavoráveis, não olhe para os seus problemas; olhe para o que Jesus já fez. Relembre os milagres registrados na Bíblia e as intervenções de Deus em sua própria história.
- Ajuste Suas Expectativas: Muitas vezes, o que nos faz sofrer não é a ausência de Deus, mas a insistência em que Ele siga o nosso roteiro. Peça ao Espírito Santo que alinhe seu coração à vontade d’Ele.
- Encontre Descanso na Identidade d’Ele: O mesmo capítulo 11 termina com o convite de Jesus: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” (Mateus 11:28). O alívio não vem da compreensão de todos os mistérios, mas de estar perto d’Aquele que conhece o fim desde o princípio.
Conclusão: A Rocha em Meio à Tempestade
João Batista nos ensina que até o precursor pode vacilar, mas que a resposta está sempre em Jesus. Se hoje você se encontra perguntando: “O Senhor é Aquele que haveria de vir, ou devo esperar outro?”, ouça a voz do Mestre apontando para as vidas transformadas, para o sacrifício na cruz e para a ressurreição.
Jesus é o Messias esperado. Ele é a Luz que brilha nas trevas, mesmo quando as trevas da nossa “prisão” momentânea tentam nos cegar. Confie no caráter de Deus, descanse em Sua Palavra e lembre-se: Ele está agindo, mesmo quando você não consegue ver. Sua fé não é medida pela ausência de dúvidas, mas pela persistência em buscar a Cristo em meio a elas.
FAQ – Perguntas Frequentes sobre Mateus 11:3
1. Por que João Batista duvidou se ele mesmo tinha batizado Jesus?
A dúvida de João não foi uma negação da divindade de Jesus, mas uma confusão sobre o método e o tempo do Reino de Deus. Ele esperava um julgamento imediato contra o pecado e a opressão política, e o ministério compassivo de Jesus não se encaixava na sua expectativa cultural.
2. Jesus ficou bravo com a pergunta de João?
De forma alguma. Jesus elogiou João logo após a saída de seus discípulos, chamando-o de “mais que um profeta”. Jesus trata a dúvida sincera com misericórdia e evidências da verdade.
3. O que significa “não se escandalizar” em Jesus?
Significa não permitir que a forma como Deus trabalha se torne um motivo para você se afastar d’Ele. É não tropeçar no fato de que Deus, às vezes, permite o sofrimento ou age de maneira diferente do que planejamos.
4. Quais profecias Jesus citou em sua resposta?
Jesus fez alusão a várias passagens de Isaías, especialmente Isaías 35:5-6 e Isaías 61:1, que descrevem as curas e a pregação do Evangelho como sinais distintivos do tempo messiânico.
5. Podemos ter dúvidas hoje e ainda sermos bons cristãos?
Sim. A dúvida faz parte do crescimento espiritual. O problema não é ter dúvidas, mas o que fazemos com elas. Se as dúvidas nos levam a buscar a Deus (como João fez), elas fortalecem nossa fé.
6. Como a resposta de Jesus ajudou João na prisão?
A resposta deu a João a certeza teológica de que o plano de Deus estava em curso. Isso permitiu que ele enfrentasse o martírio com a paz de saber que sua missão estava cumprida e que o Messias estava realmente ali.
7. Onde Jesus oferece descanso para quem tem dúvidas?
Em Mateus 11:28-30, Jesus convida os cansados e sobrecarregados (inclusive mentalmente por dúvidas) a encontrarem descanso n’Ele, trocando o fardo pesado da autojustificação pelo Seu jugo suave.

